Black metal

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7 mars 2012, 15h31m

ODES AO BLACK METAL LUSITANO


Inicio essa jornada pelo Black Metal Lusitano com essa pequena lenda composta por títulos das músicas das demo-tapes do Eremites de Portugal. “Na Terra do Silêncio” de 2007 e “Mundo de Gelo” de 2008. Projeto one man band do guerreiro Insalûbris Infernâlis que, junto dos conterrâneos Ashnag e o já falecido baterista Brás, e outros guerreiros, participaram de muitos outros projetos desse Raw Coldness Black Metal, primitivo, desesperado e fatal, como o Insalubre, Cripta Oculta, Infernus, Nortada Gelada, e desconfio que até do Black Howling e de muitas outras, posto que muitas nem sejam creditadas a ninguém, mas que a sonoridade não nos deixa enganar, devido características únicas na natureza de suas composições. Muito não é necessário falar sobre o Eremites, basta seguir o instinto invernal e se deixar levar por uma trilha fétida de sangue podre em meio à neve, ouvindo as quiméricas guitarras em “Hino da Noite” até o alto grau de amargura e desprezo humano em “Triunfo da Peste” na demo intitulada “Na Terra do Silêncio”. Ou simplesmente, entre a demo “Mundo de Gelo” - partir solitariamente para a brancura inanimada e indiferente da nevasca cortante, entrecortada apenas por lobos assassinos, famintos da cegueira espiritual humana; ao som de canções como “A Ultima Noite entre os Mortais” e “666 Anos de Inverno”. O longo sono do congelamento mortal dos nossos instintos esvaídos pela civilidade castradora da alma, nos solos de “Duma Natureza Superior” e a mais que belíssima; “Memórias da Floresta Majestosa”. Uivos de lobos e gritos de dor humana tendo a carne destrinchada só pela saciedade do mal, nunca ecoaram tão majestosamente entre acordes de tamanha frieza espiritual e solidão de sangue. Mas dos projetos de Insalûbris Infernâlis ainda há mais pela frente como é o caso do “Cripta Oculta”.




Dizia um “exímio” resenhista de outras terras que o Cripta Oculta é um dos segredos mais bem guardados na cena do Black Metal Português. Eu diria que se dependesse desse mesmo resenhista seria um dos segredos mais mal revelados, isso sim. Pois apesar de não ter pecado em nada no que se refere ao reconhecimento que a horda merece, fazendo uma breve critica impressionista das músicas da obra “Ecos dos Dolmens Esquecidos” do ano de 2010. Diz ele da faixa “Lágrimas da Europa”, que ela não significa muito para ele por ela não parecer mais do que um monte de reverb na garagem de alguém (confiram antes quemodifiquem o texto). Primeiramente que a parte que ele criticou me soa como uma viagem ritualística muito parecida com as que o Fenriz (old Fenriz) fez nas várias introduções das músicas do Isengard(Nor) no “Vinttercugge”. Tais introduções são também uma tradição já, que eu diria ao contrário de Nietzsche, que neste caso, não são “uma armadilha para pássaros incautos” (sobre as críticas contra seus livros, na segunda introdução do seu “Humano, Demasiado Humano” – Mas pelo contrário. Um desvio mesmo aos superficiais! Aos que ouvem algo forçando a si mesmos só para dizerem que ouviram, ou que “têm” tal som, ou que conhecem. Esses mentem para si mesmos e para os outros com os ouvidos! Até por que a faixa “Lágrimas da Europa” após pouco mais de um minuto de silêncio (muito provavelmente em homenagem ao falecimento do baterista Brás, suponho eu) se transforma num hino grandioso de fúria. Uma das mais brutais canções desta obra, que sinceramente, apenas comparar com Dark Throne(old) ou Mayhem(old) é leviano, e parece coisa de quem não tem outra referência de comparação ao não ser hordas já do conhecimento de todos. Eu vejo que até hordas como Drakonian Age do Brasil tem muito em comum com essa obra. E quanto a obra “Rios que Correram...Rios que Secaram” também de 2010. Podemos encontrar seguramente sonoridades do nacional socialismo da Ukrania como no Kroda e no Nokturnal Mortum, com explosões de gritos e refrões pagãos como no antigo Kampfar ou Helhein. Flautas entre guitarras compassadas e grande garbo militar. Com Hinos como “Ascendam Se...Hó Chamas da Serpente” o Cripta Oculta coloca o Black Metal Lusitano entre os melhores e mais criativos do Mundo, sendo ainda em tudo, donos de uma genialidade só deles, ou de Insalûbris Infernâlis, para não sermos tão injustos. E da obra de 2009 “Sangue do Novo Amanhecer”, mais próxima dos moldes do Eremites e do Nortada Gelada, outro projeto de Insalûbris Infernâlis, a canção “A Suástica que Chama por Tempos Distantes” é uma canção que sinceramente, depois de ouvi-la, já não acho mais necessário continuar aqui como vosso escriba. Basta ouvi-la e tudo se concretiza e se revela mais dignamente por si só em torno do Cripta Oculta.




Sobre Insalubre? Igual a muitas demos caseiras muito não se pode querer exigir desta gravação, porém seria um erro subestimar o que “Vozes do Passado” do mesmo “Insalubris Infernalis” pôde representar para a história do Black Metal em Portugal. Além do interessante e inusitado cover do “Sodom”, da música “Remember the Fallen” que segue de maneira equilibrada com a proposta da horda, não destoando do todo, por mais singelo que soe. A faixa “Vozes do Passado” até relembra um pouco a “The Worst Word” do “Goatpennis” do Brasil, na demo “Sabbat on Death”, não pelo estilo em si, mas pela atmosfera e andamento, além da sonoridade abafada. “Vozes do Passado” apenas vem a ser mais ritmada, mas sem variações, fazendo com que a faixa de abertura intitulada “Nas Linhas de Frente” seja a mais expressiva deste trabalho, embora nenhuma deixe a desejar no quesito: Sinceridade! Lembrando que se tratam dos primórdios de uma fração super honrada do underground Lusitano, datada de 1999 e reeditada em 2008 muito provavelmente das originais em tape K7, com o único recurso que teriam até então. Se lembrarmos, por exemplo, da demo “Os Métodos do Pentagrama” da mais que renomeada horda portuguesa “Filii Nigrantium Infernalium” ou a própria “Ancient Battlecry” do “Celtic Dance” (aguardamos uma entrevista com Conqueror, lider da Celtic Dance, em breve) pensaremos que é já uma tradição entre as hordas de Portugal manterem níveis mínimos de audição em suas demos, mas não é fato, pois se dermos uma rápida olhada ao redor de demos no mundo, desde a “Hails Satanas” do “Beherit” na Finlândia (que ao meu gosto na verdade soa muito bem); Para não ir muito além, a própria “Land of Frost” do “Dark Throne” na Noruega, veremos que é uma realidade geral que uns tem ou utilizam mais recursos e outros não. E que a tecnologia atual apenas aplacou um pouco essa realidade, e realmente é bom quando podemos encontrar hordas que conseguem unir o útil ao agradável e protagonizar demos que além de uma incrível musicalidade tem nitidez e volume desde a captação a uma boa mixagem, e há muitas hordas que buscam o melhor para suas músicas, mas sem Vaidade! Assim como há aquelas, que não é por que preferem uma sonoridade mais crua, raw, ou rústica, (crusty?), que devam ser tratadas com menos respeito, pelo contrário, desde que sejam realmente sérias em suas propostas, ou pesquisa. Exemplo é o próprio Burzum em seus primórdios quando Varg simplesmente rejeitava o que tinha de melhor num estúdio. Muitas vezes não há muitos recursos e do mínimo busca-se fazer o todo. Mas agora: Querer Sempre exigir músicas em 320 kbps, sem saturação, ruídos e sempre em estéreo perfeito e multicanalizado, soando sempre polido e “Bonito”? Desculpem-me aqui a expressão coloquial, mas é coisa de playboy! A estes recomendo que procurem outras bandas que não as do underground! Ou vão para uma ‘rave’ de uma vez! Ou apenas aguardem quando tais bandas mesmas saírem dessa fase, intenção ou possibilidades. Ai varia da proposta de cada banda... Mas acreditem, há essa altura já terão perdido muito provavelmente a melhor fase de cada horda na grande maioria dos casos, posto que não são raros os casos em que dentro de um estúdio um número gigantesco de hordas simplesmente “perdem a essência”; ou um grande número de Posers é ali que se revelam!... Eu vou continuar preferindo dez minutos que sejam do mais puro Black Metal mesmo que em níveis quase inaudíveis, do que uma hora milionária da mais “perfeita” falsidade. E não me venham querer “soar underground” para parecer o que não são. Não cheguem ao cúmulo!... Cada um lute com as armas que possui desde que lutem com dignidade em nome do Black Metal!Tomem aqui como exemplo essa grandiosa demo do Insalubre.




NORTADA GELADA



É uma das hordas que mais vem me inspirando na atualidade. Aqui toda a frieza de Eremites simplesmente exacerba. Embora não existam créditos diretos, muito provavelmente os guerreiros “Insalubris Infernalis” e “Ashnag” e seus apoiadores também estejam por detrás das névoas deste projeto. Pois sua originalidade é inconfundível, tanto na sonoridade e estilo quanto na abordagem poética, evocando um peculiar paganismo, que a meu ver vem a culminar na maior representação do sentimento na cena Black Metal Lusitana. Possuindo até então duas demos intituladas “Inverno das Trevas” datada de 2005 e “Aos Homens que não Aparecem nos Livros” de 2008; além de um split com “Cripta Oculta” e uma coletânea junto das hordas: “Infernus” e “Cripta Oculta” (ambas lideradas por “Insalubris Infernalis”) participam também outras hordas portuguesas, são elas: “Black Howling”; ”Helvete”; “Irae” e “Moons Veneris”. A primeira Demo “Inverno de Trevas” já deixa claro os caminhos por onde a horda singraria, e além de um cover de “Lost Windows” do Burzum, já traz “Como Um Lobo que Uiva”, canção que acredito ser um dos maiores hinos do Black Metal Mundial composto para representar o orgulho Ibérico. No mesmo molde de “Uma Ode ao Pinhal” desta demo, há também a passagem chamada “Aonde a Neve Não Derrete”, que consta apenas no Myspace da horda. Aqui já não é mais necessário falar que uma horda tenha se inspirado no antigo Burzum, por que já se trata de um estilo próprio, mesmo que partindo de um ponto comum, o Nortada Gelada não fica preso ao lugar comum, e não se limita ao seu espaço. Aqui o estilo é tomado como propriedade anímica onde se é acrescentado algo novo, pois que parte da expressão sincera de sua própria natureza inaudita. E isso é o que vem a fazer com que canções como “Aos Homens que não aparecem nos Livros”, “A Traição de Galba”; “Em Nome dos Deuses Pagãos”; Hino a Guerra”; “O Frio” sejam verdadeiros monumentos de contemplação ao gelo faminto que cresce nas almas misantrópicas e encobriria o mundo mais uma vez num único sussurrar de maldição invernal. A que falar então do hino já citado “Como um Lobo que Uiva” que nesta segunda demo retorna numa gravação, pouco melhor, com as guitarras e vocais mais abertos, passando muito mais claramente toda a dimensão desse que é o mais alto uivo que Nortada Gelada lança para reagrupar seu clã sanguinário antes se lançarem a caçar as almas condenadas dos mortais.



E assim, sublevado por essa melancolia sublime encontrada entre tão letais paisagens do inverno de espíritos esquecidos; ou de corpos mortos sendo acariciados pela neve silenciosa que os soterrará para sempre; - Brancos túmulos de Tempos, lendas e guerreiros que não voltaram jamais!!! Busco ouvir muitas vozes vindas da sabedoria do passado, como se fosse o vento a me sussurrar numa floresta, pelo silente uivo primitivo de meu animal totêmico, que sempre sente o cheiro da distração humana. O cheiro de distração fisiológica e filosófica. - Distração Histórica!!! E ouvindo esse longo uivo meu instinto redesperta, e eu sigo minha caça com mais precisão até o momento definitivo de seu abate necessário a minha continuidade. Assim, eu sou o lobo do meu próprio instinto! Assim, eu sou a floresta onde meu próprio uivo caçador ecoa! E assim eu me torno o espírito saciado e revigorado do próprio ancestral que de mim mesmo um dia novamente renascerá. E assim vagando pela floresta eu sigo a mim mesmo, como um lobo que uiva e busca em seu próprio uivo, a sua ascensão crepuscular.

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