Review - Milhões de Festa 2011 - Parque Fluvial, Barcelos - 22, 23 e 24/07/2011

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30 jui. 2011, 16h45m

Sexta 22 Jul – Milhões de Festa 2011

Reportagem Imagem Do Som

No ano passado assumiu-se como um dos mais carismáticos festivais de verão a nível nacional e o Parque Fluvial de Barcelos foi novamente o seu ‘habitat’ natural. Falamos pois do Milhões de Festa, esse grande evento da promotora Lovers & Lollypops que ocorreu a 22, 23 e 24 de Julho e que ao longo desses três dias viu passar pelos seus cinco palcos mais de meia centena de projectos musicais capazes de agradar a todos os gostos.

Dia 22 - Primeiro Dia: Mais fotos do primeiro dia aqui.

O Milhões de Festa 2011 teve início naquele que é, por certo, o lugar mais marcante de todo o festival: a Piscina. É impensável falar no Milhões de Festa sem referir os mergulhos e os mojitos, a acompanhar os concertos, enquanto nos tentamos refugiar do calor abrasador de Barcelos.
Os Hill abriram o festival e o palco da Piscina logo ao início da tarde, seguidos dos Black Bombaim, dos Hayvanlar Alemi e dos The Glockenwise que continuaram a dar boa música aos que ficaram por lá a aproveitar o sol durante a tarde.

A edição deste ano do Milhões de Festa trouxe-nos dois palcos novos e de entrada livre. O palco L&L (Lovers & Lollypops), situado nas margens do rio Cávado, e o palco SWR, situado no ‘D'Outro Lado Bar’ em Barcelinhos, na outra margem do rio. O único inconveniente destes novos palcos foi o facto de ambos estarem distantes do Parque Fluvial, o que obrigava a grandes caminhadas, e o facto de os seus concertos serem coincidentes com outras actuações nos restantes palcos. Daí a pouca afluência que neles se verificou durante os três dias.
Dirty Beaches e Glam Slam Dance no palco L&L, e Jardín de la Croix no palco SWR, foram alguns dos nomes que por lá passaram no primeiro dia e que se apresentaram convidativos à caminhada.

Depois de estarem presentes nas três edições passadas do festival, os Riding Pânico são um nome que já é parte integrante do Milhões de Festa. Após um ano desde o seu último concerto regressaram ao Palco Vice para uma actuação explosiva ao final da tarde que entrou directamente para os melhores concertos do primeiro dia. Outra coisa não seria de esperar quando se toca com Chris Common no lugar de baterista, esse grande senhor membro fundador dos já extintos These Arms Are Snakes.
“E Se a Bela for o Monstro” e “Running Kids” foram os temas apresentados do registo “Lady Cobra”, para além de três composições novas que demonstraram que o colectivo nacional mantém a receita para fazer post-rock de qualidade intacta.
Um novo álbum é que já vinha a calhar.



Tal como no ano passado, não houve concertos em simultâneo nos palcos Vice e Milhões, por isso a ‘romaria’ entre palcos no final de cada concerto foi novamente uma constante.

Os born a lion inauguraram o palco Milhões com o rock que outrora os tornou numa das maiores revelações do género a nível nacional.
“Lonely Gun”, “Blackout” e “Psycho” foram alguns dos temas que mostraram atitude aliada ao reverb da guitarra e ao ritmo contagiante do baixo e da bateria.



Dispensam apresentações pois são um dos nomes maiores da cena punk a nível nacional. Frágil, carismático vocalista do colectivo portuense, conduziu os Motornoise que, contrariamente ao seu nome, apresentaram-se duros em palco e fizeram erguer os punhos da plateia.

Já se sabia à partida que o experimentalismo/ambientalismo dos Æthenor não era fácil de assimilar mas o facto de este ‘super-grupo’ ser composto por Kristoffer Rygg e Daniel O’ Sullivan, dos Ulver, Stephen O’Malley, dos SunnO))), e Steve Noble, suscitou interesse naqueles que conheciam os projectos principais dos seus membros.
Depois de um concerto espantoso de Ulver na Casa da Música em Novembro transacto, as expectativas para ver mais um projecto do senhor Rygg eram altas. No entanto, os Æthenor, que trouxeram “En Form for Blå”, o seu último registo, na bagagem, não surpreenderam e acabaram por passar algo despercebidos ao público que já se encontrava pelo recinto.
Num espaço fechado e com um público conhecedor do seu trabalho a história deverá de ser diferente.



Afiguraram-se sob a forma de dois bateristas, dois indivíduos mascarados de coelhos e um vocalista que envergava um robe e possuía um cabelo que lhe tapava a cara fazendo lembrar a rapariga do filme ‘The Ring’.
Fazendo jus ao nome que têm, os Shit And Shine procuraram em primeiro lugar saturar a plateia com sons díspares para mais a frente presentear a mesma com sonoridades mais tribais e funky, que puseram a mexer aqueles cuja paciência foi maior.



O ecletismo musical que caracteriza o Milhões de Festa continuou ao som dos Zun Zun Egui que trouxeram a atmosfera tropical até ao palco Milhões naquele que foi um dos concertos mais animados de todo o festival.



No Palco Vice, os Gama Bomb aterraram como uma verdadeira bomba e ninguém ficou indiferente ao seu thrash metal.
Entre mosh pits, circle pits e banhos de cerveja o colectivo irlandês instalou a verdadeira festa e boa disposição entre a plateia.
Caso para se dizer ‘Hail Gama Bomb’ o/



Nome sonante do primeiro dia, a par dos americanos Liars, os Graveyard assumiram-se como banda da noite.
Dizer que são os novos Black Sabbath não estará longe de ser verdade, afinal de contas as influências estão todas lá, e prova disso foi a ‘lição’ de rock que deram aos muitos que se juntaram à frente do palco Milhões para assistir ao seu concerto e à sua estreia por terras lusas.
“Hisingen Blues”, último álbum do colectivo sueco, serviu de mote para a actuação onde o ‘headbanging’ e o ‘air guitar’ sobressaíram.



Passou cerca de um ano desde o último concerto dos portugueses If Lucy Fell. Essa ‘bandona’ que junta membros de Linda Martini, Riding Pânico, Paus, Men Eater e Filho da Mãe regressou para actuar no Milhões de Festa e a energia caracterizadora dos seus concertos perdura.
A recordar os temas da sua obra-prima “Zebra Dance” não faltou o típico caminhar de Makoto Yagyu sobre a plateia e ainda a participação especial de Cláudia Guerreiro, dos Linda Martini, que prestou os seus dotes de guitarrista em “She Lives/She Dies”.
Concerto espantoso de uma banda que permanecerá para sempre como uma das mais significativas de post-hardcore/mathcore nacionais.



Angus Andrew (guitarra e voz), Aaron Hemphill (guitarra, voz e bateria) e Julian Gross (bateria) são as mentes por detrás do nome Liars.
Conhecidos pela pluralidade de géneros musicais que conjugam, desde o noise-rock até ao post-punk, passando pelo indie, o trio nova-iorquino encerrou o palco Milhões com uma actuação agradável onde demonstrou o porquê de ser considerado tão inovador e particular.



Os concertos continuaram no palco Vice com o regresso aos palcos de Veados Com Fome e Lobster, com o duo lisboeta a fazer lembrar o concerto dos Monotonix no Milhões de Festa 2010.

Já os Discotexas Gang garantiram a festa até de manhã.


Dia 23 – Segundo Dia: Mais fotos do segundo dia aqui.

O calor já se fazia sentir e eram muitos os que se refrescavam logo ao início da tarde quando os concertos começaram na Piscina. Destaque para as actuações dos colectivos nacionais Mr. Miyagi e Long Way to Alaska que se apresentaram coesos.
Enquanto isso, o trio de stoner rock Karma to Burn, que tinha marcado presença na edição anterior do Milhões de Festa, assegurava um dos melhores concertos do palco L&L que registava nessa altura uma das maiores afluências durante os três dias.

Neste segundo dia de festival, coube aos portugueses Tigrala iniciar os concertos no palco Milhões. O projecto levado a cabo por Noberto Lobo, Guilherme Canhão e Ian Carlo Mendonza, que já tinha pisado o mesmo palco no dia anterior com os Born A Lion, presenteou o público com uma actuação positiva ao final da tarde.



Com o cancelamento do concerto de Kim Ki O, devido a problemas técnicos no palco Vice, o concerto dos Millionyoung, que era suposto acontecer logo após à actuação dos Trigala, ficou agendado para mais tarde.

No palco Milhões, o rock/stoner psicadélico dos Causa Sui entoou pelo recinto e contagiou aqueles que assistiram à sua actuação. O colectivo dinamarquês assumiu-se como uma das maiores revelações do festival. Pelo menos para aqueles que desconheciam a banda composta por Jonas Munk (guitarra, teclados e voz), Jess Kahr (baixo) e Jakob Skøtt (bateria).
Melhor que isto, só mesmo vê-los na ‘Duna Jam’

Por esta altura, no palco SWR os We Are The Damned acabavam a sua actuação que contou com a participação de Mike Correia, dos Men Eater, na segunda guitarra.
Seguiram-lhes os EAK, que aproveitaram a ocasião para apresentar o seu novo registo “Muzeak”, naquela que foi a noite de maior peso em Barcelinhos.

MillionYoung é Mike Diaz. Foi com este senhor que se iniciaram as primeiras danças da noite ao som do electro-pop, que se fez ouvir pelo palco Vice, num momento bem ‘chill-out’.



Um dos regressos mais aguardados de todo o festival era o dos barcelenses Kafka, não fossem eles uma banda de culto na ‘cidade do galo’.
Envoltos na atmosfera melancólica, kafkiana e enigmática que os caracteriza, marcada ainda mais pelas projecções que acompanharam o seu concerto, assinalaram um belo retorno aos palcos.



A variedade musical do Milhões de Festa é notável e também o hip-hop esteve representado pelos The Antipop Consortium no palco Vice, que começaram a sua actuação cerca de uma hora mais tarde do que o previsto devido a problemas técnicos.
O trio que não se rendeu ao comercialismo que afecta o género e mantêm-se fiel ao hip-hop tradicional e à IDM, Intelligence Dance Music, aproveitou a ocasião para apresentar o seu último registo “Fluorescent Black”.



As Vivian Girls eram um dos nomes mais esperados do segundo dia. De regresso ao nosso país depois de terem assinalado presença no festival Paredes de Coura 2010, as meninas de Brooklyn trouxeram com elas “Share the Joy”, novo álbum, para uma actuação “light” que colocou o público conhecedor do seu trabalho a dançar.
Quanto ao restante a banda nova-iorquina terá passado despercebida.



Concerto que não passou despercebido foi, por certo, o dos italianos Zu. O trio composto por um baixo, uma bateria e um saxofone interpreta um noise/jazz/metal de forma pouco ortodoxa e não é fácil de digerir tamanha densidade sonora.
Durante cerca de uma hora abanaram as instalações do Milhões de Festa, para os lados do palco Vice, num concerto que se amou ou odiou.



À semelhança dos Graveyard na noite anterior, os Secret Chiefs 3 arrecadaram o título de concerto da noite. A banda lidera por Trey Spruance, dos afamados Mr. Bungle, alia ao experimentalismo e avant-garde a música tradicional de Leste e do Médio Oriente, algo que os torna num dos projectos mais extraordinários dos últimos anos.
O nível técnico, bastante complexo, das suas composições é também surpreendente e ficou mais uma vez provado que ao vivo são interpretadas de forma irrepreensível.
De regresso ao nosso país, os Secret Chiefs 3 assinalaram um dos pontos altos de todo o festival, naquele que terá sido um dos grandes concertos da edição 2011 do Milhões de Festa.



No palco Vice seguiu-se a ‘one-man-band’ Bob Log III. Com um fato brilhante e justo e um capacete da força aérea com um telefone adaptado a microfone, este senhor vindo do Arizona mostrou que uma guitarra, um bombo e um prato de choque são suficientes para se fazer a verdadeira festa.
O blues vai conquistando os presentes por entre as piadas do músico, que se foi mostrando bastante comunicativo, até ao momento alto da actuação em que, como habitual, duas raparigas do público se sentam nas suas pernas para se ouvir o tema “I Want Your Shit On My Leg”.
Numa palavra: fantástico!



O electro dos britânicos Man Like Me fechou o palco Milhões e como Milhões de Festa significa animação a tempo inteiro, Matanza e Rodas deram música aos resistentes pela noite dentro.


Dia 24 – Terceiro Dia: Mais fotos do terceiro dia aqui.

O terceiro dia do Milhões de Festa 2011 começou com a triste noção de que era o último dia do festival mas a festa não foi menor que nos outros dias, muito pelo contrário.

A Piscina recebeu logo ao início da tarde as turcas kim ki o e os chilenos MKRNI que viram as suas actuações canceladas nos dias anteriores.
De entre os restantes projectos que passaram por lá é de salientar as actuações dos Nazka e do colectivo português Larkin, que apresentaram o novíssimo e interessante álbum “Elements To Our Desire”.
Com o alinhamento da Piscina alterado os Secousse viram a sua actuação naquele espaço cancelada, algo pouco significativo visto que iriam tocar novamente no palco Vice já de madrugada.

No palco L&L os Equations destacaram-se, tal como os Löbo o fariam mais tarde no palco SWR.

Os Dear Telephone surgem através da combinação de elementos de peixe:avião e La La La Ressonance. Conjugando a voz masculina e a voz feminina, o colectivo move-se num registo pop de melodias delicadas que iniciou os concertos no palco Milhões ao final da tarde.



Sem dúvida, uma das maiores surpresas de todo o festival foi a união de throes + The Shine. O rock dos Throes aliou-se ao kuduro dos The Shine num género musical que é agora apelidado de “rockduro”.
Esqueçam as actuações individuais dos colectivos. A união está para durar e o concerto no Milhões de Festa 2011 foi apenas a sua estreia.



Quem esteve presente na edição passada do festival, certamente que se lembra do concerto dos Appaloosa no palco Milhões ao final da tarde, naquele que foi um momento de descontracção com grande parte do público a assistir ao concerto sentado na relva.
Este ano os Papa Topo assumiram uma postura semelhante e, embora a sonoridade seja distinta do duo do ano passado, a Paulita e o Adrià conquistaram com temas simples e carregados de ternura.



A luz foi quatro vezes abaixo durante o seu concerto mas nem isso estragou a festa que os FM Belfast literalmente montaram no palco Vice.
O colectivo islandês mostrou-se bastante comunicativo e divertido com uma plateia que, reciprocamente, dançou intensamente ao som das suas composições electro-pop.
Sem dúvida a banda ideal para quem quer ter uma festa de anos à maneira no jardim lá de casa.



O contraste entre as actuações animadas no palco Vice e as actuações mais serenas no palco Milhões ganhou ainda mais relevo com We Trust.
O projecto de André Tentúgal reuniu músicos convidados que tornaram real a apresentação e estreia ao vivo da banda de “Time (Better Not Stop)”, tema que se destaca inevitavelmente de todos os outros que numa primeira audição soaram a ‘mais do mesmo’.



O derradeiro concerto e anunciado fim dos Green Machine aconteceu no palco Vice numa actuação muito emotiva, quer por parte da banda quer por parte do público conhecedor e apreciador do seu trabalho.
Boa prestação do colectivo barcelense na sua despedida.



A julgar pela quantidade de pessoas que se juntou à frente do palco Milhões para ver as Electrelane facilmente concluíamos que as quatro raparigas de Brighton eram cabeças-de-cartaz não só da noite como de todo o festival.
Após um hiato de cerca de 3 anos juntaram-se para dar alguns concertos em festivais de verão e o Milhões de Festa não ficou de fora.
De regresso ao nosso país, Mia Clarke, Emma Gaze, Ros Murray e Verity Susman apresentaram “No Shouts, No Calls” numa actuação que não foi extraordinária, mas que satisfez ambas as partes.



Depois de Star Slinger fazer uma espécie de aquecimento à plateia, seguiu-se Washed Out, outro grande nome da noite para aqueles que apreciam o chillwave/lo-fi, com Enerst Green a subir a palco acompanhado por mais músicos que deram vida as suas composições.



Quatro baterias dispostas em círculo que se fartaram de levar ‘porrada’ e uma gritaria que nunca mais acabava descreve o concerto dos Foot Village que foi um autêntico ritual tribal.
A malta gostou e aplaudiu.



A encerrar o palco Milhões os Radio Moscow abusaram do poder do rock psicadélico para mais uma actuação digna de destaque.
“Brain Cycles” já data de 2009 mas continua a destroçar os pescoços daqueles que tentam acompanhar o ‘turbilhão de riffs’, que saem da guitarra de Parker Griggs, e o ritmo devastador da bateria, de Cory Berry, e do baixo, de Zach Anderson, com as cabeças.



De regresso ao palco Vice e com o Milhões de Festa a chegar ao fim Comanechi e Secousse queimaram os últimos cartuchos até ao amanhecer. Para o ano há mais!

Agradecimentos:
Lovers & Lollypops

Reportagem Imagem Do Som

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