Por onde você anda Fiona?

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21 jui. 2011, 1h21m



Foi em meados de 2000 que conheci Fiona Apple. Alguém levou para a loja em que eu trabalhava o álbum Tidal, debut da cantora, que tocamos durante dias sem pausa (principalmente a música Criminal). Sua voz era um misto perfeito entre fragilidade e força, embalada em composições intimistas. Fui imediatamente arrebatado por essa que se tornaria, para mim, uma musa musical. Julio, o amigo que levou o álbum, relatava para nós, empolgado, que enquanto escutava Fiona, imaginava-se tocando um enorme piano de cauda, copo de whisky ao lado, enquanto ela, coberta por um decotado vestido vermelho, se espreguiçava e cantava de forma felina. Esse é o efeito da voz dessa , que com pitadas de e um ar ocasionalmente barroco nos leva a devaneios melancólicos, mas viscerais.

Logo que conheci Tidal (de 96), também mergulhei no segundo álbum, When The Pawn... (99), e ambos se tornaram trilha corriqueira de meus dias, meses, e anos. Seu terceiro álbum, Extraordinary Machine, viria apenas intermináveis seis anos depois. Cercado de confusões, ele demorou três anos para ser lançado, devido a divergências de entre Fiona e a gravadora, que considerava o trabalho "anticomercial". Com isso, o álbum que chegou ao público não se mostrou tão bom quanto seus antecessores. Jon Brion, o produtor original, foi afastado, e toda a edição das faixas refeita. Não por acaso, as canções perdidas que foram editadas por Brion (famoso por ter feito a trilha sonora do magnífico "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraças", além da música tema de "Magnólia") são consideradas melhores que as do álbum lançado oficialmente.

Tidal é até hoje meu preferido. Profundo e frágil, ele navega pela melancolia à comemoração dolorida (mas nunca se mostrando depressivo). Shadowboxer está para mim, no patamar que coloco, por exemplo, a Glory Box do Portishead; enquanto Criminal nunca deixará de ser uma canção arrebatadora. When The Pawn..., além de ser o álbum com o título mais extenso já criado, é mais coeso e extrovertido que o anterior. Já Extraordinary Machine não tem a força que se esperava, mas ele cresce supreendentemente a cada audição, deixando uma prazerosa vontade de querer mais – que infelizmente ainda não foi suprida, restando apenas a fatídica pergunta: por onde você anda Fiona?

Destaques: Todas, mas posso tentar reduzir um pouco para Shadowboxer, Criminal, Sleep to Dream e Carrion (Tidal); On The Bound, A Mistake, Fast As You Can e Limp (When The Pawn...); Extraordinary Machine, Get Him Back, Better Version Of Me, Window e Waltz (Extraordinary Machine).

Aconselhado para: Refletir, dormir, acordar, respirar, ficar debaixo das cobertas com uma boa companhia.

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