drunkinparis

Gloom Rock Bastard, Homme, Portugal
www.facebook.com/rememberd…Dernière visite : hier matin

32930 écoutes depuis le 14 mai 2006

759 coups de cœur | 7 messages | 1 playlist | 258 shouts

  • Ajouter à mes amis
  • Envoyer un message
  • Laisser un shout

Votre compatibilité musicale avec drunkinparis est Inconnue

Obtenez votre profil musical

Morceaux écoutés récemment

DokkenThe Hunter (Re-Recorded / Remastered) Hier 12h07m
DokkenInto The Fire (Re-Recorded / Remastered) Hier 12h03m
DokkenBreaking The Chains (Re-Recorded / Remastered) Hier 11h59m
DokkenJust Got Lucky (Re-Recorded / Remastered) Hier 11h54m
NeurosisCleanse III - Live in London 26 sept. 23h50m
NeurosisZero - Demo 26 sept. 23h49m
NeurosisSouls - Demo 26 sept. 23h40m
NeurosisEmpty 26 sept. 23h39m
NeurosisTakeahnase 26 sept. 23h31m
NeurosisStripped 26 sept. 23h22m
NeurosisA Chronology for Survival 26 sept. 23h11m
NeurosisSterile Vision 26 sept. 23h04m
NeurosisThe Web 26 sept. 22h51m
NeurosisFlight 26 sept. 22h47m
NeurosisZero 26 sept. 22h45m
Voir plus

Shoutbox

Ajouter un commentaire. Ouvrir une session Last.fm ou S'inscrire.

À propos de moi



Eu sou de facto o Diabo. Não se assuste, porém, porque eu sou realmente o Diabo, e por isso não faço mal. Certos imitadores, na terra e acima da terra, são perigosos, como todos os plagiários, porque não conhecem o segredo da minha maneira de ser. Shakespeare, que inspirei muitas vezes, fez-me justiça: disse que eu era um cavalheiro. Sou incapaz de uma palavra, de um gesto, que ofenda uma senhora. Quando assim não fosse da minha própria natureza, obrigava-me o Shakespeare a sê-lo. Mas, realmente, não era preciso. Dato do princípio do mundo, e desde então tenho sido sempre um ironista. Ora eu nunca pretendi dizer a verdade a ninguém - em parte porque de nada serve, e em parte porque não a conheço. Meu irmão mais velho, Deus todo-poderoso, creio que também a não sabe. Isso, porém, são questões de família. Talvez não saiba porque é que a trouxe aqui, nesta viagem sem termo real nem propósito útil. Não foi, como parecia que ia julgar, para a violar ou atrair. Não poderia. Essas coisas acontecem na terra, porque os homens são animais. Na minha posição social no universo são impossíveis - não bem porque a moral seja melhor, mas porque nós, os anjos, não temos sexo, e essa é, neste caso pelo menos, a principal garantia. Pode pois estar tranquila porque a não desrespeitarei. Bem sei que há desrespeitos acessórios e inúteis, como os dos romancistas da velhice; mas até esses me são negados, porque a minha falta de sexo data desde o princípio das coisas e nunca tive que pensar nisso. Dizem que muitas feiticeiras tiveram comércio comigo, mas é falso; ainda que o não seja, porque o com que tiveram comércio foi com a própria imaginação, que, em certo modo, sou eu. Esteja, pois, tranquila. Corrompo, é certo, porque faço imaginar. Mas Deus é pior - num sentido, pelo menos, porque criou o corpo corruptível, que é muito menos estético. Os sonhos, ao menos, não apodrecem. passam. Antes assim, não é verdade? Desde o princípio do mundo que me insultam e me caluniam. Os mesmos poetas - por natureza meus amigos - me não têm defendido bem. Um inglês chamado Milton fez-me perder, com parceiros meus, uma batalha indefinida que nunca se travou. Um alemão chamado Goethe deu-me um papel de alcoviteiro numa tragédia de aldeia. Mas eu não sou o que pensam. As Igrejas abominam-me. Os crentes tremem do meu nome. Mas tenho, quer queiram quer não, um papel no mundo. Nem sou o revoltado contra Deus, nem o espírito que nega. Sou o Deus da Imaginação, perdido porque não crio. É por mim que, quando criança, sonhaste aqueles sonhos que são brinquedos; é por mim que, quando mulher já, tiveste a abraçar-te de noite os príncipes e os dominadores que dormem no fundo desses sonhos. Sou o Espírito que cria sem criar, cuja voz é um fumo, e cuja alma é um erro. Deus criou-me para que eu o imitasse de noite. Ele é o Sol, eu sou a Lua. Minha luz paira sobre tudo quanto é fútil ou findo, fogo-fátuo, margens de rio, pântanos e sombras. Mas deixemos isso, que é puramente jornalístico. Lembremo-nos de que sou o Diabo. Sejamos, pois, diabólicos. Quantas vezes tem sonhado comigo?