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  • o show que reviveu os Beatles

    8 mai 2013, 4h34m

    Sábado 4 Mai – Out There! Tour

    - Então, o que é que vai ser, hein?

    A mesma dúvida que persistia na cabeça de Alex e sua gangue em Laranja Mecânica pairava pelo ar nas filas na entrada do show de Paul McCartney em Belo Horizonte no último sábado, dia 4 de maio. Em quatro anos, seria a quarta passagem (e o nono show) do beatle pelas terras brasileiras, só que dessa vez estreando sua nova turnê, Out There. As outras duas turnês das últimas passagens tiverem o setlist baseado no DVD de 2009, Good Evening, New York City, mas nas semanas antes do show, os mais diversos boatos de que a nova tour teria um repertório totalmente novo aumentavam a ansiedade nos corações dos nossos amigos plantados debaixo do céu de brigadeiro e do sol escaldante da capital mineira. Na internet, chutaram que ele tocaria a música feita com os ex-Nirvana, Cut Me Some Slack, além de Venus and Mars – Rock Show –Jet, Letting Go, With a Little Luck e All Things Must Pass, de seu irmãozinho Geroge Harrison, só que Macca mandou um grande tapa na cara de quem quer que tenha feito essa estimativa.


    Paul entrou no palco pouco antes até das 21h30, e depois da convencional demonstração de simpatia através de poses e sorrisos, tocou os primeiros acordes da abertura. Não era Magical Mystery Tour, nem Hello Goodbye, nem Venus and Mars. O jovem senhor inicia seu show ousadamente com Eight Days a Week, música do bonde de Liverpool que não era tocada desde 1965, e que tinha a primeira voz feita pelo bom e velho Lennon em sua versão original. Enquanto isso, lágrimas corriam nos olhos dos beatlemaníacos ao redor do estádio. Não muito depois de cumprimentar Belo Horizonte como “beagá”, ele estampa Listen To What The Man Said, música dos Wings que o velhinho não tocava desde 1976. O show vai correndo, Macca brinca mais um pouquinho com o sotaque dos mineiros e solta um “ô trem bão, sô” que é rapidamente repetido depois de perceber a satisfação do público. Mas o sotaque era um pequeno detalhe comparado com o que ainda viria.


    E veio primeiro Another Day, que não era tocada ao vivo já há 20 anos e depois de surpreender a todos com seu novo cenário suspenso e com projeções no chão, o inglês se arrisca em estrear a primeira música do show: Your Mother Should Know, de 1967, que nunca havia sido tocada ao vivo, nem pelo quarteto fabuloso, enquanto ao fundo é projetada a famosa dancinha da banda no filme Magical Mystery Tour, e as emoções se atenuam um pouco. Paul alterna Lady Madonna e pega o violão de 12 cordas pra tocar All Together Now, aquela que encerra a animação Yellow Submarine, que também era inédita ao vivo. Ninguém se aguentava mais de chorar, mas ainda teve mais. Paul pulou junto com o público em Mrs. Vandebilt e a galera não parava de cantar a música nem depois da banda parar de tocar, e o velhinho abre um sorriso muito sincero. “Eles merecem mais”, ele pensa. E foi o que aconteceu.

    Depois de Elanor Rigby, o jovem senhor pega o Hofner e anuncia pra galera que aquilo ia ser uma estreia, e toca uma das músicas mais despretensiosas dos Beatles, Being For The Benefit of Mr. Kite!, escrita e cantada por John na gravação original e que nunca ninguém havia nem pensado que ele tocaria ao vivo, mas surpreendentemente, todos sabiam a letra. Depois ele encaixa Hi, Hi, Hi, que também não era executada desde 1976. No fim da primeira parte do show, McCartney é surpreendido com uma homenagem quando o público levanta cartazes com “Thank You” durante Hey Jude. Ele fica muito feliz, agradece um milhão de vezes e pensa de novo “eles precisam de mais, e lá vem”.

    Paul chega, e depois da corriqueira Day Tripper, ele passa da sua cota de estreias com Lovely Rita, e a partir daí o público já nem acredita em mais nada. Ele toca Get Back, faz sua parada e volta com outras músicas dos Beatles, incluindo o medley final do lado b do Abbey Road e tira as palavras da boca de qualquer um que tentasse fazer uma descrição do show.


    A banda do sir conta com simpatissíssimo ótimos músicos que acompanham seu mentor nas brincadeiras e dancinhas, e cada um deles já acompanha a fera a mais de 10 anos (o monstro dos teclados, Paul Wickens é o mais antigo na banda e desde 1989 é fiel a seu xará). Nos contras do show, o público acabou sentindo falta de Jet, que parecia ser eterna no setlist, mas foi sacada, e algumas como Drive My Car, The Night Before e Got To Get You Into My Life até fizeram falta aos fãs da primeira banda de Paul, mas eles foram consolados com boas substitutas . O show teve ainda algumas falhas no som, uma durante Ob-La-Di, Ob-La-Da e a outra, bem maior, durante Band On The Run. Ficou meio implícito que a empresa era um pouco menos profissional do que deveria ser pra cobrir um show daquele porte.

    Tirando esses contratempos, o show foi histórico e memorável, e o ex-beatle e sua banda escolheram um repertório novo muito digno e que agrada muito fácil os fãs da garotada de Liverpool. E o Brasil espera poder ver o músico de novo no decorrer da turnê. E, como paranaense, espero poder ver Paul de novo aqui em Curitiba, já que ele não vem pra capital gelada há 20 anos.

    E quem nunca foi em um show do cara: aproveite a próxima oportunidade pra ir, porque compensa muito mais do que se pode imaginar.

    leiam mais em: http://raramenteefetivo.wordpress.com/

    obrigado!