VI Setembro Negro (Hammer Rock Bar, Campinas, 13/9/07)

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10 sept. 2008, 12h03m

Thu 13 Sep – VI Setembro Negro Festival
(originalmente publicado em http://whiplash.net/materias/shows/065425-belphegor.html)

Incluindo o interior paulista de forma definitiva na rota do undergound internacional, o Hammer trouxe a 2ª edição local do Setembro Negro (este é a 6ª versão desde a criação do tradicional evento, inicialmente restrito à capital) a Campinas, contando no cast deste ano o retorno de dois monstros do e europeu, uma revelação tcheca e a que considero, com toda sinceridade, a melhor horda brasileira em ação no momento.

Um seleto público assistiu ao acachapante ataque sonoro desta noite, que dava partida à tour que ainda passou por Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre - infelizmente, a cidade natal do festival este ano ficou sem o show, devido à interdição na última hora do local... uma atitude lamentável do CONTRU frente a um evento cultural, com os headbangers paulistanos tendo seu dinheiro devolvido pela organização local (pelo menos tivemos essa atitude de seriedade e profissionalismo).

O massacre começou às 20h com os cariocas do Darkest Hate Warfront retornando à casa após a abertura do Watain há alguns meses. A banda já havia provocado expectativa devido ao seu excelente debut Satanik Annihilation Kommando (2005) e a perfeita apresentação passada. Para quem ainda não sabe, a "nova" horda (inicialmente um projeto de Manthus) é formada pelos mesmíssimos integrantes do Mysteriis, influente banda do início desta década, mas a história morre aí: musicalmente, o DHW faz um som muito mais direto e violento, deixando a época de teclados e corpsepaint como mera reminiscência do passado.

Order Of Battle abre o set com blastbeats incessantes e Agares vomitando o louvor à guerra nos mais incautos. Desta vez investindo mais em sons novos, Triumph Of Blood e When The Warfront Arises mostram uma banda que amadureceu e investe mais no peso e arranjos, uma vez que a lenta volta dos músicos do Mysteriis (inicialmente o DHW era uma dupla) trouxe toda uma dinâmica mais rica. A assustadora Possessed by Fire traz a ignorância de volta às caixas, uma música que já nasceu clássica... o carisma e a presença de palco matadora de todos incendia o público. Ainda encontram espaço para reviver seu passado com A Song For Anu e Ave Mysteriis, fechando com chave de ouro na esporrenta faixa-título de seu debut. Uma verdadeira AULA de brutalidade. Como é bom ver a cena carioca renascendo após anos de farofada ou nulidades!

Por razões pessoais, não pude presenciar o show dos tchecos do Tortharry, mas a opinião unânime que colhi foi a de que os tchecos foram extremamente eficientes com seu . Cheguei a tempo apenas de presenciar a saideira com Unseen, que me impressionou de forma positiva... infelizmente, terei que aguardar o retorno da banda ao nosso país para apreciar mais.

Com a casa clamando por Belphegor em uníssono, os austríacos (que já se apresentaram na cidade em 2006) ganham o palco na escuridão, enquanto rola a intro. The Goatchrist inicia a desgraça de técnica e velocidade que é o show destes caras. É nada menos que impressionante a sincronização e dissonâncias harmônicas que Helmuth, Sigurd e Serpenth produzem, um som doentio e característico que não se escuta desde os primórdios do Morbid Angel. Chants For The Devil 1533, Diaboli Virtus in Lumbar Est, Seyn Todt In Schwartz... segue o desfile de aberrações que alternam velocidade supersônica e peso monolítico. A execução de Belphegor - Hell's Ambassador, que abre seu último álbum, chega a emocionar em sua precisão de detalhes reproduzidos com fidelidade impressionante.

Bluhtsturm Erotika e Swarm of Rats surgem para satisfazer os fãs de seus 2 últimos trabalhos, seguidos por Pest & Terror e o encerramento com a poderosa Lucifer Incestus. O público não se dá por satisfeito e urra por um encore, que é prontamente atendido pela banda: Sepulture of Hypocrisy e Bleeding Salvation terminam de esmirilhar o pescoço que ainda resistia inteiro. Brilhante e tecnicamente perfeita apresentação, saíram do palco com toda a aclamação que fizeram por merecer!

Já o Gorgoroth dividia opiniões antes mesmo de dar o primeiro acorde: Infernus e companhia proibiram câmeras (a imagem que ilustra essa matéria foi tirada de um celular), comprovaram que são muito reservados e desconhecem o significado de "interação com os fãs" - apesar de que, fazendo justiça, chegaram a tirar algumas fotos com um pessoal na porta (sem deixar a expressão petrificada, porém). Estrelismo? Eu quero acreditar que não, prefiro encarar como indivíduos extremamente misantropos e que põe esse princípio em prática nas suas atitudes: o Gorgoroth não é uma simples banda, é uma verdadeira ideologia ímpar e honesta com seus apoiadores, apesar de atitudes questionáveis pela maioria dos setores de nossa sociedade.

Blablabla sociológico à parte, vamos ao que interessa, o som: Bergtrollets Hevn abre o set com um som altíssimo e a atmosfera pesada. Se individualmente não há maiores destaques aos instrumentistas, quando Gaahl abre a boca o resultado é nada menos que assustador, como comprovamos na já clássicas Procreating Satan e Forces of Satan Storms... incrível a intensidade e resistência vocal que o alemão apresenta ao vivo, consegue superar facilmente o que encontramos nas gravações.

King Ov Hell muito eventualmente apresenta algum destaque nas 4 cordas, segurando mais a base da banda com precisão e frieza impressionante. Infernus executa The Rite of Infernal Invocation com a mesma frieza, porém se movimentando mais em cena. Seguem Profetens Apenbaring, a ótima e recente Carving a Giant e Destroyer leva o público presente à um transe de headbanging. Gaahl continua a comandar a demência em Possessed (By Satan), seguida pela Unchain My Heart.

A marcante Prosperity and Beauty sinaliza que estamos chegando ao fim, que se mostra derradeiro quando executam a grande Revelation of Doom, de seu EP de 96. O Gorgoroth apresentou, na verdade, um espetáculo que reside mais na atmosfera claustrofóbica e caótica de sua música que nos pormenores técnicos: o show dos caras chega sinceramente a incomodar em alguns momentos - quer coisa melhor, pra uma verdadeira banda de , que inspirar tal sentimento? Um retorno muito bem vindo à terra brasilis, para deleite de sua enorme base de fãs aqui.

No mais, uma noite absolutamente memorável para os headbangers do interior paulista (e mesmo gente que veio de outro Estado), que puderam uma vez mais assistir - numa excelente estrutura - e interagir com seus ídolos, literalmente, cara-a-cara. Só foi complicado encarar uma sexta-feira no dia seguinte com o pescoço duro, mas é um sacrifício absolutamente louvável... e que venha o Cannibal Corpse em alguns dias!

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