Banda mineira lança o DVD ‘Extra Extra’, com faixas que seriam apenas lados B dos discos
Por: Felipe Cruz
Quando a internet se popularizou, no final dos anos 90, os mineiros do Pato Fu já estavam lá, disponibilizando fotos, letras e MP3. “Chegava a ser bizarro, porque no site tinha um espaço para explicar aos leitores o que era MP3, download”, diz o guitarrista John. Agora, eles acreditam que conseguiram se superar, deixando livres para baixar mais de 150 minutos de material exclusivo da banda.
E, para aqueles que não tiverem acesso à banda larga ou paciência para baixar tudo, há ainda a opção de comprar no site o DVD em formato físico, pelo preço de custo de R$ 15 (mais frete).
Com uma vendagem em torno de 20 mil unidades, o novo disco da banda, Daqui Pro Futuro, lançado de forma independente em 2007, não é nenhum sucesso de vendas. Mas isso não preocupa o grupo. “A cada dia, nós nos preocupamos menos com as vendagens. O que importa é a música chegar até as pessoas e pela internet isso é possível”, defende John. Por isso, quando saíram em turnê, eles decidiram gravar os bastidores e publicar os vídeos no site. “Ficamos com tanto material que lançamos esse DVD.”
Batizado como Extra! Extra!, o trabalho traz apenas materiais que serviriam para alimentar os bônus tracks de um DVD comum. “Não tem um conteúdo principal, só os extras, que são a melhor parte”, diz John. O material, filmado entre 2007 e 2008, pode ser baixado no endereço
www.patofu.com.br/extra, criado exclusivamente para isso. “O mercado encolheu e não é interessante para ninguém nos ligarmos a uma gravadora. A oportunidade de ser independente apareceu e não foi nenhum drama, até porque não partimos do zero, temos nosso público”, analisa John.
Os momentos mais interessantes do disco são dois documentários de turnê, um com a pocket tour pelo Japão e outro com os bastidores e o dia a dia do grupo nos shows pelo Brasil.
Há ainda um divertido apanhado de “Lições da Estrada”, que são pequenos vídeos mostrando o que se “aprende em uma turnê do Pato Fu”. Os outros capítulos trazem videoclipes de cinco canções do novo disco e também um vídeo histórico com cenas do início da carreira, em 1990. “Estamos sempre inventando coisas novas. Ser independente é uma forma de fazer com as nossas próprias mãos documentários como esses. No final, percebemos que o veículo ideal para divulgar isso era a internet.”
Mas John, considera o capítulo “Música de Bolso” o mais interessante da coletânea. “São uns caras que resolveram convidar vários artistas para tocarem em lugares inusitados. Fomos com eles em uma loja de brinquedos e do nada começamos a tocar a canção Mama Papa para quem estivesse passando na hora”, lembra John.
Usar a internet como forma de divulgação, no entanto, não significa que a banda defende a pirataria. “É ruim a venda de qualquer coisa, produto pirata. Acho errado venda de software, música e tudo o mais que não seja legal”, diz. “O artista tem de ser remunerado, mas o consumidor não está disposto a pagar mais. Com esse cenário, é preciso chegar a uma solução viável. Acredito que encontraremos um ponto correto, seja lá qual for.”
Pato Fu